SOBERANIA DA AMAZÔNIA

DEFESA DA AMAZONIA ENTREVISTA: GELlO FREGAPANI

A AMAZÔNIA SERÁ OCUPADA.

POR NÓS, OU POR UMA OU MAIS POTÊNCIAS ESTRANGEIRAS 25.02.2005 Brasília - o problema crucial da Amazônia é que ainda não foi ocupada. Ledo engano é supor que a região pertence de fato ao Brasil. Será, sim, do Brasil, quando for desenvolvida por nós e devidamente guardada. Daí porque às potências estrangeiras não interessa o desenvolvimento da Amazônia. Por enquanto, Estados Unidos, Inglaterra e França, principalmente, lançam mão, com esse objetivo, da grita ambientalista. Com a região intocada, matam dois coelhos com uma cajadada: ­ mantêm os cartéis agrícolas e de minerais e metais. Dois exemplos: a soja da fronteira agrícola já ameaça a soja americana; e a exploração dos fabulosos veios auríferos da Amazônia poriam em cheque as reservas similares americanas e poderia mergulhar o gigante em recessão. O outro coelho é que, despovoada, inexplorada e subdesenvolvida, não haverá grandes problemas para a ocupação militar da região. Aliás tudo já está preparado para isso. A reserva lanomâmi - etnia forjada pelos ingleses -, do tamanho de Portugal e na tríplice fronteira em litígio Brasil, Venezuela e Guiana, é a maior e mais rica província mineral do planeta. As Forças Armadas e a Polícia Federal não podem nela entrar, por força de lei. Pois bem, já há manifestação na Organização das Nações Unidas (ONU) de torná-la nação independente do Brasil, por força de armas, se necessário. É disso que trata esta entrevista, que o maior conhecedor da Amazônia, Gelio Fregapani, concedeu, com exclusividade, ao Enfoque Amazônico. Gelio Fregapani, ironicamente gaúcho, é o mentor da Doutrina Brasileira de Guerra na Selva. Para atingir a capacidade de iniciativa de tal magnitude já esteve em praticamente todos os locais habitados e muitos dos desabitados da Amazônia, inclusive a selva, aquela que poucos conhecem e que nem uma hecatombe nuclear destruiria. Fala também mais de uma língua indígena. Fregapani já conduziu geólogos a lugares ínvios, chefiou expedições militares e coordenou expedições científicas às serras do extremo norte e onde dormem as maiores jazidas minerais da Terra. Desenvolve, também métodos proféticos para evitar doenças tropicais, tendo saneado as minas do Pitinga e a região hidrelétrica de Cachoeira Porteira. Coronel do Exército, serviu à força durante quatro décadas, quase sempre ligado à Amazônia, tendo fundado e comandado o Centro de Instrução de Guerra na Selva.

Há mais de três décadas, vem observando a atuação estrangeira na Amazônia, o que o levou a escrever Amazônia –A grande cobiça internacional (Thesaurus Editora, Brasília, 2000, 166 páginas), apenas um título de sua bibliografia. Ele está convencido de que a grita dos ambientalistas serve a interesses americanos e de que a ferrugem da soja foi introduzida no Brasil por concorrentes da grande nação do norte. Para Fregapani, a vocação da Amazônia, além da produção de metais, é a silvicultura. "Se nós plantarmos 7 milhões de hectares de dendê ria Amazônia, extrairemos 8 milhões de barris de biodiesel por dia, o que equivale à produção atual de petróleo da Arábia Saudita." Fregapani não descarta guerra pela ocupação da Amazônia. "A Amazônia será ocupada. Por nós ou por outros" - adverte. Vamos à entrevista. RAG. 9

ASSASSINATOS NO INTERIOR DO PARÁ TORNARAM-SE BANAIS. POR QUE A REGIÃO ESTÁ CONVULSIONADA?

  Vou me arriscar a fazer um pequeno comentário sobre o Pará, mas friso que não sou nenhum especialista na área, que não é da minha especial atenção. Acontece que aquela área é limite da expansão agrícola, que vai continuar, primeiro, pela exploração madeireira; depois, de gado; e depois, de agricultura. Os Estados Unidos preocupam-se especialmente com a tomada do mercado deles de soja. Nós produzimos soja mais barata do que eles, pela nossa quantidade de água, de terras baratas e de insolação. Então, fazem todo o possível para prejudicar-nos. Pessoalmente, estou convencido de que eles introduziram - não quero dizer o governo deles; talvez as companhias deles - a ferrugem da soja e usam o meio ambiente como uma forma de travar o nosso progresso. Nesse uso do meio ambiente se inclui a corrupção existente em alguns dos nossos órgãos; o idealismo, tolo, de algumas das nossas entidades que querem deixar a mata intocada e o nosso povo sem emprego; e, principalmente, a atuação, nefasta, de várias ONGs, como a WWF (Wold Wildlife Fund). Eu acredito que nesse contexto muito desses conflitos são provocados por interesses externos. Se o Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) fizesse corretamente seu papel e se as reintegrações de posse fossem cumpridas certamente não haveria muitos desses conflitos. É claro que pouca gente vê o resultado do esforço de toda sua vida sem reagir. E quando a Justiça não atende, algumas pessoas farão justiça com as próprias mãos.

QUAL É A MANEIRA LEGíTIMA DE OCUPAÇÃO DA AMAZÔNIA?

A Amazônia será ocupada. Por nós, ou por outros. Numa humanidade em expansão, com uma série de terras superpovoadas, uma terra despovoada e habitável, ela será ocupada. Por quem? Nós temos, legitimamente, a posse, mas essa legitimidade não nos garante o futuro. Se nós não ocuparmos a Amazônia, alguém a ocupará. Se nós não a utilizarmos, alguém vai utilizá-la. Portanto a questão é: devemos ocupá-la, ou não? Nós somos brasileiros, então devemos ocupá-la. Se nós nos achamos cidadãos do mundo, então podemos permitir a ocupação por outros. Como ocupar? Estávamos falando da área do Pará que é a periferia da selva. Essa história de Amazônia Legal é uma falácia, feita para incluir nos benefícios da Amazônia algo que não tem nada a ver com a Amazônia real, que é aquela selva que nós todos conhecemos. Nessa periferia está a agricultura. Então, ela será ocupada, fatalmente, pela agricultura, até para alimentar o mundo. Os madeireiros não fazem o mal à selva que os ambientalistas falam. Os madeireiros pegam espécies selecionadas, que interessam ao mercado. É claro que eles abrem picadas para chegar até essas árvores, mas isso não faz dano á floresta, porque há milhões de pequenas árvores, chamadas de filhotes, que estão lá, há muitos anos, esperando uma chance de chegar ao sol para poder crescer. Quando uma árvore é abatida, aqueles filhotes que estão em redor crescem numa velocidade espantosa, na disputa para ver qual dos indivíduos vai substituir a árvore que foi abatida. Isso não altera em nada a floresta. Mas a fronteira pioneira vai avançando. Nessas trilhas, irão colonos, que procurarão fazer um corte para colocar o gado. Isso faz com que o Brasil tenha o maior rebanho de gado fora da Índia, e que abastece o mundo de carne. Há quem ache ruim. Há quem queira as árvores e não o gado. Depois, pela valorização, essas terras serão usadas pela agricultura. Essa é a forma natural de ocupação, embora lenta, pois precisamos ocupar a Amazônia de uma forma mais veloz. Contudo, tanto o gado como a agricultura, não poderão ficar na área de floresta mesmo. Não porque os ambienta listas querem. É porque a floresta não deixa. Na floresta, fora dessa área de transição, de periferia, na floresta úmida, real, as árvores crescem com uma rapidez incrível. Primeiro vem uma árvore pioneira, a imbaúba, e sob a sombra da imbaúba cresce a verdadeira floresta. Em dois anos, as imbaúbas já estão com mais de 40 metros. Então, não é possível uma agricultura, como nós a concebemos no Sul, ou no Hemisfério Norte, porque a floresta não deixa. O correto seria a silvicultura, ou seja, a substituição de árvores por outras árvores. Muitas outras árvores são interessantes para substituir aquelas árvores de menos valor. A castanheira, a seringueira... mas, no momento, o que chama atenção, mesmo, é o dendê.

DENDÊ?

As reservas de petróleo estão diminuindo no mundo e o consumo está aumentando. Vai chegar um momento que o uso de petróleo será inviável. Eu não estou dizendo que o petróleo vai acabar. Sempre vai sobrar um pouco, ou um achado novo, mais fundo, mas o uso do petróleo, como fazem.os atualmente, está com seus dias contados. Além do mais, os Estados Unidos estão procurando tomar conta de todas as jazidas que existem no mundo e alguns países estão realmente preocupados com isso. A Alemanha, que já sabe muito bem o que é falta de energia, um bloqueio, está plantando canola para substituir diesel, e já tem alguns milhares de


postos fornecendo biodiesel aos consumidores. A canola produz por hectare 20 vezes menos do que o dendê, que precisa só de calor, sol e água. Exatamente o que abunda na Amazônia. Se nós plantarmos 7 milhões de hectares de dendê na Amazônia, extrairemos 8 milhões de barris de biodiesel por dia, o que equivale à produção atual de petróleo da Arábia Saudita, que tende a declinar. O Japão mandou o seu primeiro ministro ao Brasil para tratar de biodiesel. O Japão não tem um lugarzinho nem para plantar canola. A China tem muito carvão, mas tem pouco petróleo; ela também está reunida com o Brasil, pedindo que o Brasil faça biodiesel. O mundo tem fome de biodiesel. Essa me parece, que é a melhor ocupação da Amazônia. Sete milhões de hectares plantados seria uma área menor do que a área lanomâmi. Nós teríamos 200 milhões de hectares plantados, se quiséssemos, produzindo biodiesel. Sete milhões de hectares plantados criarão aproximadamente 6 milhões de empregos. Isso contribuiria para atingir a meta de 10 milhões de empregos do presidente Lula (Luiz Inácio Lula da Silva). Isso tornaria o Brasil rico e começaríamos a ocupar a Amazônia.

HÁ POSSIBILIDADE DE GUERRA PELA OCUPAÇÃO DA AMAZÔNIA?

Sabemos que haverá pressões, sabemos que outros tentarão ocupar a Amazônia, sabemos que se nós não a ocuparmos, certamente teremos uma guerra pela ocupação. E guerra que ninguém garante que nós vamos vencer. A necessidade de ocupação da Amazônia é um fato e a melhor forma é deixar prosseguir a fronteira agrícola, ao mesmo tempo que no interior da floresta. E quanto mais perto das serras que separam o Brasil dos países ao norte, melhor. É nítido o desejo dos povos desenvolvidos tomarem conta das serras que separam o Brasil da Venezuela e da Guiana, por dois motivos: para evitar que o Brasil concorra com seus mercados e como reserva futura de matéria-prima. Podemos substituir as árvores nativas pelo dendê e, com isso, conseguiremos tudo o que precisamos. Atenderia a 6 milhões de trabalhadores rurais e acabaria até com o problema dos sem-terra. Essa solução é tão vantajosa para o Brasil que para mim é incompreensível que isso não esteja com destaque na grande mídia, não esteja na discussão de todos os brasileiros, embora eu tenha consciência que está na discussão dos ministros e do presidente.

A QUEM INTERESSA A GRITA DOS AMBIENTALlSTAS NA AMAZÔNIA?

Há três países especialmente interessados nisso: os Estados Unidos, a Inglaterra e a Holanda. Eles têm coadjuvantes: França, Alemanha e outros; até mesmo a Rússia já se meteu, no tempo de Gorbatchev. Mas o interesse dos Estados Unidos é mais profundo. Se nós explorarmos o ouro abundante da Amazônia, vai cair o preço do ouro, e isso vai diminuir o valor das reservas dos Estados Unidos, onde está certamente a maior parte do ouro governamental do mundo. Isso seria um baque para os Estados Unidos, talvez pior do que perderem o petróleo da Arábia Saudita. A Inglaterra, não é de hoje, sempre meteu o bedelho nessas coisas. A Holanda, que é o país que mais modificou seu meio ambiente, tendo retirado seu território do mar, também tem umas manias loucas em função do meio ambiente. A grita ambientalista atende principalmente aos Estados Unidos, para cortar a exploração do ouro, e também para não atrapalhar seu mercado de soja. À Inglaterra interessa o estanho, mercado que sempre dominou. Uma só jazida de estanho na Amazônia, do Pitinga, quebrou o cartel do estanho, fazendo despencar o preço de US$ 15 mil a tonelada para menos de US$ 3 mil. Agora está em US$ 7.500, mas não voltou aos US$ 15 mil por causa de uma única jazida. Reconheço que há ambientalistas sinceros, que acreditam nessas falácias, nessas mentiras, ostensivas, como a de que a Amazônia é o pulmão do mundo e que os pólos estão derretendo por causa disso e por causa daquilo. Os pólos estão derretendo porque ciclicamente derretem e se alguma coisa influi nisso são os países industrializados.

 

A ABERTURA DE ESTRADAS NA AMAZÔNIA É NECESSÁRIA?

Quando foi aberta a Belém-Brasília, a Amazônia era como se estivesse noutro continente. Nós poderíamos chegar lá, sem dúvida, de navio ou de avião. A Belém-Brasília rasgou apenas 600 quilômetros de selva, mas essa área já está povoada, é definitivamente nossa. Tem conflitos, mas tem riquezas, tem um rebanho enorme e começa a produzir alimentos vegetais. A Transamazônica não teve o mesmo sucesso porque devia ter sido construída por etapas. A estrada especialmente estratégica, que garantiria para o Brasil a posse da Amazônia, que seria a Perimetral Norte,não saiu do papel. Mas somente estradas podem povoar a Amazônia. Elas terão que ser abertas.


QUAIS SÃO OS PONTOS ESPECÍFICOS DA AMAZÔNIA QUE INTERESSAM ÀS POTÊNCIAS ESTRANGEIRAS ?

As serras que separam o Brasil da Venezuela e da Guiana, e um pouquinho da Colômbia. Lá é que estão as principais jazidas e minerais do mundo. É lá que eles forçam para a criação de nações indígenas e, quem sabe, vão forçar depois a separação dessas nações indígenas do Brasil. Um segundo ponto é a orla da floresta, essa transição da floresta para o cerrado, perfeitamente apta à agricultura. Isso entra em choque com os interesses agrícolas dos Estados Unidos. O interior real da floresta, esse é desabitado, desconhecido e é mais falado pelos ambientalistas sinceros, mas ignorantes, aqueles que julgam que a floresta tem que ser preservada na sua totalidade, mesmo que o povo brasileiro fique desempregado, faminto e submisso às potências, que construíram o seu progresso modificando o meio ambiente. Não há como haver progresso sem modificar o meio ambiente. Nós temos, às vezes, algumas falácias nisso. Os ambientalistas não querem que se construa barragens nem que se faça irrigação. Não existe desperdício maior do que o rio jogar água no mar. O ideal é que a água fosse usada toda aqui dentro.

TRAFICA-SE ANIMAIS, PLANTAS E ATÉ SANGUE DE ÍNDIO DA AMAZÔNIA .

A Rússia tem aquela imensidão da Sibéria, quase despovoada, inabitável mesmo, e com muitos menos animais do que pode conter a floresta amazônica. E, para ela, é uma imensa riqueza a exploração de peles. Naturalmente, o ribeirinho tem que caçar. Os animais são desperdiçados por leis ambientais erradas. Esses animais acabam sendo levados para países vizinhos e de lá são exportados. O que nós teríamos que fazer é uma regulamentação e não uma proibição. Quanto à história de sangue de índio, até onde eu saiba, andaram aí coletando para fazer pesquisas. O que querem com essas pesquisas? Não é prático, no meu entender, coletar sangue para contrabandeá-lo. Quanto à exploração de espécies vegetais, ou à biopirataria, eu também não me assusto muito com isso, porque, uma vez que se vê que uma planta cure alguma coisa, vai se procurar o princípio ativo e produzi-lo sinteticamente. A pesquisa disso, no meu entender, traria bem para a humanidade. Se bem que eu gostaria que nós fizéssemos isso e não que os estrangeiros patenteiem e depois queiram vender para nós. Esses aspectos são mais emocionais e direcionados para que a gente não explore nada.

É VERDADE QUE A POPULAÇÃO INDÍGENA FOI REDUZIDA DRASTICAMENTE DESDE O DESCOBRIMENTO DO BRASIL?

Mais de 30 milhões de brasileiros que se consideram brancos têm sangue indígena. Temos, portanto, mais de 30 milhões de descendentes de indígenas. Se considerarmos que havia 3 milhões de indigenas na chegada de Cabral e se há 30 milhões de seus descendentes entre os que se consideram brancos nós vemos que a população indígena não foi reduzida; foi ampliada. O que certamente acontecerá não é a eliminação do índio; é a eliminação de suas sociedades, por serem anacrônicas. A sociedade medieval já acabou. A sociedade dos samurais também. A sociedade dos mandarins também. Por que tem de ser mantida uma sociedade que não cabe no mundo moderno? Os valores tribais não são facilmente aceitos por pessoas evoluídas. Canibalismo pode ser aceito? Sinceramente, no meu entender, não. O assassinato de filhos, como cultura, não como delito, pode ser aceito? Isso não é compreensivo para mim. A nossa ingenuidade talvez nos leve a achar que devemos preservar a mata nativa e deixar o povo com fome.

OS IANOMÂMIS SÃO UMA NAÇÃO VERDADEIRA OU FORJADA?

Absolutamente forjada. São quatro grupos distintos, lingüisticamente, etnicamente e, por vezes, hostis entre eles. A criação dos ianomâmis foi uma manobra muita bem conduzida pela WWF com a criação do Parque lanomâmi para, certamente, criar uma nação que se separe do Brasil. O Parque lanomâmi é uma região do tamanho de Portugal, ou de Santa Catarina, onde, segundo afirmação da Funai (Fundação Nacional do Índio) há 10 mil índios. A Força Aérea, que andou levando o pessoal para vacinação, viu que os índios não passam de 3 mil. Ainda que fossem 10 mil, há motivo para se deixar a área mais rica do país virtualmente interditada ao Brasil? O esforço deveria ser no sentido de integrá-los na comunidade nacional. Nenhuma epidemia vai deixar de atingir índios isolados. A única salvação, nesse caso, é a ciência médica. A área ianomâmi é imensa e riquíssima, está na fronteira e há outras áreas ianomâmis, similares, no lado da Venezuela. Então, está tudo pronto para a criação de uma nação. Um desses pretensos líderes, orientado naturalmente pelos falsos missionários americanos, Davi lanomâmi, já andou pedindo na ONU uma nação, e a ONU andou fazendo uma declaração de que os índios podem ter a nação que quiserem. No discurso de Davi, ele teria dito que querem proteção contra os colonos brasileiros, que os querem exterminar.

QUAL É A GRANDE VOCAÇÃO DA AMAZÔNIA?

Duas. Uma é a mineração. E a outra é a silvicultura. Particularmente a silvicultura do dendê, que, certamente, vai suprir o mundo de combustível em substituição ao petróleo. Em menos de duas décadas, o biodiesel e o álcool terão substituído o diesel e o petróleo em quase todo o mundo. Lugar algum oferece melhores condições para essa produção do que a Amazônia.

E O TURISMO?

É um pequeno paliativo. Não é suficiente para desenvolver a Amazônia. AAmazônia nunca será uma Suíça, uma Espanha...

A FALTA DE OCUPAÇÃO DA AMAZÔNIA É, ENTÃO, O GRANDE PROBLEMA DA REGIÃO?

É o grande problema do Brasil. A Amazônia será ocupada, de um jeito ou de outro. Por nós ou por outros.

A solução da ocupação não é para a Amazônia, é para o nosso pais, se quisermos ter a Amazônia.

Colaboração: Cel RR PMMT Léo G. Medeiros

O VICIO AMERICANO

MAURO SANTAYANA COLUNAS - JB ON-LINE - 3/02/06 - COISAS DA POLÍTICA

Há que se receber com grande cautela o súbito interesse norte-americano pelo álcool e pelo biodiesel do Brasil. O discurso de Bush, anunciando o desejo de depender menos do petróleo do Oriente Médio, e o divulgado propósito de grandes grupos norte-americanos, a começar pela Microsoft, em investir na produção brasileira de etanol, não devem trazer-nos esperanças, mas, sim, gravíssima preocupação. Com civilização fundada no alto consumo de energia - e civilização que exportou ao resto do mundo -, os norte-americanos são, como reconheceu Bush, viciados em petróleo. Querem, agora, trocar de vício.

É aí que a porca torce o rabo, segundo a boa filosofia rural. O grande interesse do Norte pela Amazônia não é bem pelo oxigênio que a floresta produz, mas pela sua biodiversidade e pela reserva de espaço para ocupação futura. O leitor já imaginou o que seria transformar as grandes florestas e o vasto cerrado em extenso canavial, com as sobras vegetais da saccharum officinarum servindo para nutrir o gado confinado? Nos espaços restantes, é claro, seriam produzidos os grãos - entre eles, o de soja - que alimentariam o mundo. Seria, ao mesmo tempo, gerar a força motriz do álcool, e produzir as proteínas vegetais e animais. Isso sem falar na madeira a ser retirada.

Essa é a saída estratégica para os Estados Unidos, e não se trata de idéia nova. Há mais de 50 anos, a revista de estudos Anhembi, dirigida pelo escritor Paulo Duarte, tratava de dispersos projetos de transformação do Brasil em celeiro dos ricos, ou seja, de transformar o nosso país em permanente fornecedor de matérias ­primas ao mundo. Mais ou menos na mesma época, o Marechal Tito denunciava projeto semelhante da União Soviética, de preterir a industrialização dos Bálcãs, e destinar o fertilíssimo Vale do Danúbio à produção de alimentos para o consumo dos países socialistas industrializados. É bom registrar que só se assemelham àquelas terras do Danúbio as glebas entre os rios Paraguai e Paraná, e a extensa Pampa Úmida da foz do Rio da Prata, em nosso continente. Tito, alegando razões doutrinárias (o modelo iugoslavo de autogestão do socialismo), mas também denunciando o projeto de colonização agrícola da região, rompeu com Stalin. Manteve a Iugoslávia como líder dos países não alinhados - até sua morte, que trouxe o fim da unidade daquela confederação. Como os impérios não atuam à mercê das coincidências, mas, sim, com planos de longo prazo, já foi aprovado, na Câmara, projeto que autoriza o governo a "arrendar" milhões de hectares de terras amazônicas. E aí nos recordamos de que a boa-fé costuma ser pior do que a má-fé: os diabos se escondem dentro das almas virtuosas. O poder Executivo, por iniciativa da ministra Marina Silva, recosturou projeto do governo Fernando Henrique de conceder, pelo prazo de até 40 anos, o uso dessas áreas à exploração privada. Para iniciar o grande negócio, os estrangeiros (os norte-americanos, mas, também, os chineses) só precisam aprovar seus projetos, obter a concessão e começar a agir. No passado, havia a preocupação de evitar a alienação de grandes áreas aos estrangeiros. A concessão atual é o primeiro passo para que eles se tornem senhores de vastos territórios e neles criem suas próprias leis.

Alega-se que o governo brasileiro não tem conseguido impor a ordem na Amazônia, e que os concessionários seriam capazes de fazê-lo, na exploração racional dos recursos naturais sem comprometer o meio ambiente. O Estado é, sim, capaz de ordenar a exploração racional dos recursos naturais, mediante empreendimentos dos quais detenha controle acionário, e com presença militar na região. Não podemos pedir a outros que imponham ordem em nossa casa.

Há mais de um século, brasileiros liderados por Plácido de Castro foram capazes de conservar a soberania.

Nacional no Acre, contra os interesses norte-americanos do Bolivian Syndicate.

Esta é a nossa esperança. Quando o Estado não se faz presente, o próprio povo costuma defender a

soberania sobre o seu território.


“AMAZÔNI, QUESTÃO DE SOBERANIA NACIONAL”

I NTERNACIONALIZAÇÃO DA AMAZONIA

Na Amazônia brasileira, as fronteiras estão indefinidas. índios recusam-se a se considerar brasileiros, ONG's mundiais atuam livremente e o fantasma da internacionalização leva as forças armadas a realizar manobras de defesa. O País vai perder território? As fronteiras brasileiras estão sendo redefinidas, para menos. Na Amazônia, numa faixa de mais de 5 mil quilômetros que separa o Brasil de sete países vizinhos já não é possível circular livremente, nem mesmo por rodovias federais. Para passar pelas cancelas instaladas nas estradas, só com a anuência dos índios, donos, por decreto, de uma área equivalente a duas vezes o território de Portugal. Os índios dizem que aquilo não é mais terra de brasileiros e muitos se recusam até a se definirem como brasileiros. Mesmo aviões de carreira são impedidos de usar rotas por ali - é como se o espaço aéreo da região não fosse nacional. As aeronaves são obrigadas a desviar, aumentando custos de vôos e desconforto para passageiros. Cidadãos brasileiros não podem exercer na região - riquíssima em recursos naturais - qualquer atividade econômica. Despovoadas, essas terras ditam brasileiras hoje se confundem com parques nacionais criados na Venezuela e na Guiana, formando uma zona inter-nacional sujeita a qualquer tipo de ingerência externa. Do lado brasileiro, multiplicam-se as queixas de que apenas estrangeiros têm acesso facilitado às reservas. O índice de invasão dos céus da região por aviões suspeitos de contrabando e narcotráfico aumentou 20% desde o início do ano. Na selva, garimpeiros e guerrilheiros das Farc colombianas trilham caminhos dos dois lados da floresta. Ali, onde as áreas indígenas somam mais de 60 milhões de hectares, o Brasil está perdendo o Brasil. ALERTA TOTAL Soldados têm ordens de atirar ao sinal de presença inimiga "Estamos atentos a esse conjunto de problemas", reconheceu à DINHEIRO o general Paulo Studart, comandante das tropas brasileiras situadas em Roraima. Com franqueza e cautela, ele admite: "Detectamos um ambiente internacional que pode nos levar, a médio prazo, a uma situação de defesa territorial efetiva". Nas próximas semanas, Exército, Marinha e Aeronáutica desencadeiam a edição 2004 da Operação Timbó, que irá mobilizar cerca de 22 mil soldados. "Vamos esquadrinhar toda a nossa fronteira", assegura o general Studart. Nos exercícios preliminares à operação, DINHEIRO acompanhou um pelotão do Exército em sua exaustiva ação militar. Rostos pintados com tinta verde escura, uniformes camuflados e levando sobre o corpo mais de 20 quilos de equipamentos, nossos soldados, vindos de todas as regiões do País, enfrentam os rigores da selva sob ordens rígidas. Ao encontro do inimigo, tenta-se uma primeira palavra de diálogo. Em sinal negativo, abre-se fogo. Pela faixa fronteiriça, patrulhas costumam sair em missões com volta programada ao quartel apenas depois de 48 horas de buscas. "Eles sabem a hora de sair, não a de voltar", afirma o major brasileiro Marcos José Viana. NAS MANOBRAS Pelotões têm autonomia de dois dias de sobrevivência na selva Na Amazônia, há uma suspeita generalizada de que dentro das áreas indígenas uma dezena de organizações estrangeiras opera ações de domínio territorial e cultural dos índios - e, portanto, de um rico pedaço do Brasil. No final do ano passado, na sede do Comando Militar da Amazônia, em Manaus, uma reunião chamada Operação Porteira Fechada mobilizou representantes das forças de segurança da região. "Com gráficos e slides, os militares mostraram que as áreas indígenas coincidem com jazidas de diamante e nascentes de água potável", lembra o secretário de Segurança de Roraima, Francisco Sá Cavalcante. Nessa zona cinzenta que é Brasil mas tem ocupação exclusiva de índios amparados por ONGs estrangeiras há, segundo os mapas militares, reservas de cassiterita, urânio, nióbio e molibdênio, esses últimos metais utilizados pela indústria aeroespacial. "Há uma partida geopolítica poderosa sendo jogada neste momento na Amazônia", diz o ex-ministro do Exército Leônidas Pires Gonçalves. Seguidos informes a Brasília emitidos por chefes militares brasileiros da região amazônica levaram o Ministério da Defesa a não aplicar, ali, o regime de contenção de despesas e de pessoal em curso no resto do País. "Existem ameaças sérias sobre o território brasileiro", afirma o ministro da Coordenação Política, Aldo Rebelo. '_Amazônia é nossa prioridade de defesa. " Até o final do ano, o Exército planeja instalar, de maneira permanente, mais três mil homens. Hoje com quatro bases aéreas na região, a Aeronáutica está construindo mais duas e tem projeto para outras três. A de Boa Vista, chefiada pelo tenente aviador Alexandre de Assis, foi ampliada. Ele lembra que o sistema de radares do Sivam tem-se mostrado eficiente no monitoramento dos céus da Amazônia, mas faltam instrumentos legais aos nossos pilotos para interceptar aparelhos desconhecidos ou hostis. "Semanalmente há eventos de invasão sobre nosso espaço aéreo", diz o comandante Assis. Está no gabinete do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a chamada Lei do Abate, que irá permitir que forças brasileiras ataquem aviões inimigos no espaço aéreo nacional. Os Estados Unidos pressionam para que a legislação, aprovada pelo Congresso, não seja sancionada.

 


Nada menos que 46% da área do Estado de Roraima, neste momento, não pode ser ocupada economicamente em razão de reservas indígenas já demarcadas. Ali dentro, ao contrário do que se estuda nas escolas, em que tudo ainda é Brasil, para dezenas de organizações estrangeiras o que existe é, sim, a Nação lanomâmi, com seus 9,7 milhões de hectares na fronteira com a Venezuela. Nesta imensa área virgem vivem 11 mil ianomâmis. "Eu achava tudo isso paranóia, mas hoje acredito que é possível uma reserva indígena declarar independência do Brasil e obter reconhecimento imediato dos Estados Unidos",alerta o ex-ministro Delfim Netto. Dias atrás, Delfim publicou artigo em que arrolou declarações de líderes estrangeiros sobre a desnacionalização da Amazônia. "Diferentemente do que pensam os brasileiros, a Amazônia não é deles, mas de todos nós", disse o então futuro vice-presidente americano AI Gore, em 1989. No mesmo ano, o francês François Mitterrand ecoava: "O Brasil tem de aceitar uma soberania relativa sobre a Amazônia".

O fantasma de internacionalização da Amazônia tem uma espinha dorsal bastante sólida. Áreas exclusivas para índios já formam um corredor que nasce na Guiana e se estende até a apenas 120 quilômetros de Manaus. Espera-se para os próximos dias uma decisão do Supremo Tribunal Federal que poderá conceder mais 1,7 milhão de hectares aos índios em Roraima. Veteranos da região estão alarmados. "Os europeus chegaram ao coração da Amazônia", sublinha o major da reserva Arnulf Bantel, piloto da Aeronáutica com larga experiência na fronteira. Por todas estas razões, a intenção das Forças Armadas é blindar a Amazônia, missão em tudo estratégica diante dos ataques aos contornos históricos do Brasil.

 

Colaboração: Gerhard Erich Boehme


DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO DA AMAZÔNIA

DISCURSO PROFERIDO

PELO SENADOR MOZARILDO CAVALCANTI EM 28/01/2005

Quero me referir, hoje, a uma entrevista muito instigante que foi publicada nas páginas amarelas da revista Veja, na edição de 12 de novembro último. O tema é a Amazônia, e o entrevistado é o geógrafo norte-americano David McGrath, que atualmente leciona na Universidade do Pará. O que impressiona na entrevista do Professor MacGrath é sua visão do desenvolvimento da Amazônia, vazada num espírito crítico pragmático, com alto senso de realidade, como costuma ser característica dos povos anglo-saxões. Pragmatismo, no entanto, não deve ser confundido com frieza, pois, nas respostas do professor norte-americano, interpostas às indagações do entrevistador, depreende-se, também, fascínio e admiração por esse imenso patrimônio natural brasileiro que é a Amazônia.

O cerne da posição de MacGrath sobre o desenvolvimento da região poderia ser sintetizado na polêmica formulação de que não se pode deter o desmatamento da Amazônia. O professor afirma que há base científica para se dizer que o desmatamento acompanha o crescimento econômico e o aumento da população. Chega a dizer que fez uma regressão estatística e que, nesse estudo, as curvas do crescimento da economia e do crescimento do desmatamento são praticamente idênticas.

À primeira vista, tal modo de ver as coisas poderia levar à suspeição de um posicionamento fatalista e imobilizador: "já que não podemos fazer nada, assistamos, de braços cruzados, à destruição da floresta amazônica!" Mas não é isso que propõe o professor.

O que ele propõe são políticas realistas para lidar com o problema, de modo a minimizar o impacto ecológico destrutivo que o processo de ocupação da Amazônia inevitavelmente impõe aos recursos naturais da região. Ele defende políticas de racionalização do processo de desenvolvimento que leve em conta o interesse da preservação dos recursos naturais, em conjugação com a legítima aspiração do povo por melhores condições de vida. Ou seja, o homem não pode esquecer a floresta, mas a floresta tampouco pode esquecer o homem. Nesse sentido, há de se conviver com as atividades econômicas que ocorrem na Amazônia, como a agricultura, a pecuária e até mesmo a mineração. Tudo ordenado e fiscalizado pelo Poder Público, de acordo com o tipo de atividade, bem como com a área em que se dá a atividade econômica.

A entrevista que menciono vem a propósito, pois é necessário mudar a mentalidade de algumas entidades ambientalistas, de algumas ONG que atuam na região, que só vêem as necessidades da floresta, mas se esquecem do homem em busca de melhor qualidade de vida, para o qual a floresta é menos paisagem para contemplação e mais oportunidade econômica legítima. Muitas dessas entidades querem encerrar a Amazônia numa espécie de redoma de vidro, subtraindo tudo, ao máximo, da exploração econômica. A economia produtiva não é vista como um imperativo que deve ser harmonizado com a preservação da floresta, mas apenas como inimigo da floresta que deve ser contido a todo custo, para que a integridade e a pureza da mata não seja maculada.

Não é essa a posição do Professor MacGrath, que diz, de modo peremptório, que a floresta não sobreviverá caso se tente esquecer uma realidade que existe, que é a ocupação econômica da floresta. Portanto, é melhor buscar racionalidade e disciplina mento para a atividade econômica enquanto é tempo. Se tentar deter o seu progresso e seu avanço, estar-se-á lutando por uma batalha perdida. Para citar uma frase sua: "tudo depende da capacidade do governo, junto com as sociedades civis, de ordenar o processo de transformação na fronteira, o que nunca aconteceu".

Ouçamos a lição de prudência e de pragmatismo do Professor David MacGrath. Sou Senador por um estado, Roraima, em que metade do território é ocupada por reservas de preservação ambiental e por terras indígenas. Estará esse imenso patrimônio natural e étnico livre de ameaças, estará em segurança, caso se ignore a legítima aspiração do povo Amazônico por desenvolvimento econômico? Acho que não. O professor MacGrath concordaria comigo, não tenho dúvida.

 


Então, espero que possamos mudar o ângulo do debate na questão da floresta amazônica. Em vez de nos mantermos em dois campos antagonistas e irreconciliáveis, - num dos quais figuram os preservacionistas antidesenvolvimento econômico e noutro figuram os pró-desenvolvimento a qualquer custo, - reconciliemos nossas posições, em busca da racionalidade e da temperança.

Que o desenvolvimento econômico possa ser ordenado e disciplinado pelo Poder Público, por pressão da sociedade, de modo a provocar os menores riscos possíveis à existência do patrimônio natural amazônico, fonte de riqueza do País, que é um dos principais motivos de orgulho do povo brasileiro.

 

Era o que tinha a dizer.

 

FONTE: Assessoria de Imprensa do Senado Federal

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A

Companhia Vale do Rio Doce

E AS COMUNIDADES INDÍGENAS

A Companhia Vale do Rio Doce (CVRD) vem a público prestar os seguintes esclarecimentos:

1) No último domingo, dia 30 de outubro, cerca de 280 índios da comunidade Xikrin, dentre os quais diversos guerreiros armados, invadiram o Núcleo Urbano de Carajás, constrangendo os empregados da CVRD e familiares que lá residem. Com tal agressão, as lideranças indígenas pretendem pressionar a CVRD na tentativa de obter benefícios adicionais aos que a empresa voluntariamente já concede e que já estão muito além do que qualquer outra empresa privada brasileira oferece. As lideranças indígenas declaram que; caso a Vale não os atenda, "será promovida a invasão das instalações operacionais e a paralisação das minas de Carajás". Isto configuraria um crime contra o interesse nacional, tendo em vista que a produção mineral de Carajás destina-se eminentemente à exportação, contribuindo, significativamente, para o bom desempenho da balança comercial e, conseqüentemente, para o da economia nacional. Não bastasse isso, trata se de desrespeito à propriedade privada, com agravante de se fazê-lo como forma de uma pressão ilegítima para obtenção de benefícios;

2) Não é a primeira vez que isso acontece. A CVRD tem enfrentado invasões de suas instalações, promovidas por algumas lideranças indígenas. Para se ter uma idéia, entre os pedidos recebidos em anos anteriores estão: um avião bimotor; milhares de litros de gasolina (quando a maioria dos veículos da comunidade utiliza diesel); carros de luxo para lideranças indígenas; a contratação de empreiteiras impostas pelas próprias comunidades indígenas, para construção de casas com preços unitários muito acima dos praticados pelo mercado e o pagamento de dívidas contraídas pelos índios junto ao comércio da região. São pleitos estranhos e que nada têm a ver com a busca de condições dignas de vída para a comunidade, em torno dos quais a CVRD pauta sua atuação voluntária;

 

3) Só em 2005, a Vale destinou R$ 19 milhões para programas de apoio às comunidades indígenas localizadas nas áreas de influência das suas atividades nos estados do Pará e do Maranhão. São programas nas áreas de saúde, educação, desenvolvimento e infra-estrutura, sempre em sintonia com as diretrizes da FUNAI. Somente para a comunidade Xikrin, em 2005, foram destinados cerca de R$ 6 milhões para aproximadamente mil índios, em iniciativas cujas aplicações foram decididas em comum acordo com a própria comunidade, Isso já é um privilégio, considerando as circunstâncias do país. Todos os anos, é realizada uma discussão com a comunidade, para definir os diversos programas de apoio;

4) Como em outras ocasiões, diante de tal tipo de ameaça às suas operações e ao seu patrimônio, a CVRD está adotando as providências judiciais preventivas cabíveis;

 

5) Recentemente, outras empresas exportadoras, que exercem liderança em seus respectivos mercados internacionais, enfrentaram problemas com a radicalização nas negociações com lideranças indígenas, o que põe em risco a competitividade de importantes e estratégicos setores industriais brasileiros;

6) A quem interessa tais movimentos radicais Governo e empresários não podem ficar parados assistindo à destruição da competitividade da indústria brasileira. Quem mais deveria cuidar dos interesses de sociedades indígenas, além do que determina a Constituição? A CVRD sempre fez e fará a sua parte, de forma voluntária.


POLITICA INTERNACIONAL

A DISPLlCÊNCIA E IMPRUDÊNCIA DO BRASIL

 

A AMAZÔNIA COBIÇADA (DE FORA) TOTALMENTE ABANDONADA (DE DENTRO)

POR HÉLIO FERNANDES

Fonte: Tribuna da Imprensa

 

Agora que o governo resolveu oficializar o desmembramento da Amazônia, oferecendo a terra sagrada a quem "pagar mais", temos que voltar ao assunto, e com URG_NCIA. Para isso nada melhor do que lembrar, repetir e republicar o que alguns bravos militares que conhecem a Amazônia a fundo falaram, escreveram, protestaram revoltados.

Peço que se leia com atenção o que o coronel Figueiredo lembrou na ABI, mostrando como o mundo inteiro está esperando ganhar o Prêmio Nobel da Cobiça com o nosso território. E nós, ouvindo calados, com exceção de algumas vozes.

1981 - "A Amazônia é um patrimônio da humanidade. A posse desse imenso território pelo Brasil, Venezuela, Peru, Colômbia e Equador é meramente circunstancial" - Conselho Mundial de Igrejas Cristãs. 1983 - “Se os países subdesenvolvidos não conseguem pagar suas dívidas externas, que vendam” suas riquezas, seus territórios, suas fábricas" - Margareth Thatcher, ex-primeira-ministra da Grã-Bretanha.

1989 - "Ao contrário do que os brasileiros pensam, a Amazônia não é deles mas de todos nós" - Albert

(AI) Gore, ex-vice-presidente dos Estados Unidos. "O Brasil precisa aceitar uma soberania relativa sobre a Amazônia" François Mitterrand, ex-presidente da França.

1992 - "As nações desenvolvidas devem estender o domínio da lei ao que é comum de todos no mundo. As campanhas ecológicas internacionais sobre a região amazônica estão deixando a fase propagandística para dar início a uma fase operativa que pode definitivamente ensejar intervenções militares diretas sobre a região" - John Major, ex-primeiro-ministro da Grã-Bretanha.

"O Brasil deve delegar parte de seus direitos sobre a Amazônia aos organismos internacionais competentes" - Mikhail Gorbatchev, ex-presidente da URSS. 1994 - "Os países industrializados não poderão viver da maneira como existiram até hoje se não tiverem à sua disposição os recursos naturais não renováveis do planeta. Terão que montar um sistema de pressões e constrangimentos garantidores da consecução de seus intentos" - Henry Kissinger 1996 - "Atualmente avançamos em uma ampla gama de políticas, negociações e tratados de colaboração com programas das Nações Unidas, diplomacia bilateral e regional de distribuição de ajuda humanitária aos países necessitados e crescente participação da CIA em atividades de inteligência ambiental" - Madeleine Albright, secretária de Estado dos Estados Unidos 1998 - "Caso o Brasil resolva fazer um uso da Amazônia que ponha em risco o meio ambiente dos Estados Unidos, temos de estar prontos para interromper este processo imediatamente" - General Patrick Hugles, chefe do Órgão Central de Informações das Forças Armadas dos EUA. 2005 - "A Amazônia e as outras florestas tropicais do planeta deveriam ser consideradas bens públicos mundiais e submetidas à gestão coletiva, ou seja, gestão de comunidades internacionais" - Pascal Lamy, comissário da União Européia na Organização das Nações Unidas.

PS - Tudo que está publicado aí foi dito com bravura e competência pelo coronel Figueiredo na ABI. Não pedi autorização a ele, ao jornalista Mauricio Azedo, nem a ninguém, porque a luta não é individual e sim coletiva. Só com esforço redobrado, triplicado e atento podemos sair vitoriosos.

PS 2 - Não custa repetir Charles Dickens em 1911: "Sou antiimperialista e apaixonado pela paz. Mas irei à guerra se invadirem o meu país". Ir:. Marcelo Cecilio Gimenez, Engenheiro Civil e de Segurança do Trabalho - Bacharel em Direito (Oxx37) 9106-6444


 

 





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